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Observatório escultórico ‘Star Axis’ de Charles Ross é concluído após 50 anos

Resumo

Charles Ross acaba de finalizar “Star Axis”, um observatório para observação a olho nu cravado no deserto do Novo México cuja construção levou...

Charles Ross acaba de finalizar “Star Axis”, um observatório para observação a olho nu cravado no deserto do Novo México cuja construção levou 50 anos. Segundo reportagem do New York Times, a obra monumental de land art chega à fase de inauguração justamente quando a relação do público com grandes instalações ao ar livre passa por uma reinvenção pós-pandemia.

“Star Axis” foi concebido como uma escultura habitável: os visitantes sobem por corredores alinhados a constelações e, no topo, observam o céu sem intermediação tecnológica. O projeto começou nos anos 1970 e atravessou mudanças geracionais que transformaram tanto a arte quanto o turismo cultural. Hoje, Ross e seus colaboradores discutem como liberar o acesso sem comprometer a experiência de contemplação que motivou cada pedra erguida ao longo de cinco décadas. No Brasil, iniciativas de museus a céu aberto, tema recorrente na editoria Cultura da S&N, acompanham desafio semelhante.

“Star Axis” e o lugar da land art

O termo land art refere-se a intervenções artísticas iniciadas nos anos 1960 que tomam a paisagem como material principal. Ao contrário de obras instaladas em galerias, peças desse gênero exigem deslocamento geográfico e planejamento ambiental. No caso de Ross, a escolha do Novo México — região de céus límpidos e baixa poluição luminosa — foi crucial para permitir a observação direta dos corpos celestes, princípio conceitual que sustenta todo o desenho do observatório.

O New York Times destaca que, embora “Star Axis” esteja finalmente pronto, ainda não existe calendário oficial de abertura. A equipe do artista busca modelos de visitação escalonada para preservar tanto o terreno árido quanto a qualidade do silêncio noturno, considerado parte integrante da obra.

Como a obra dialoga com o presente

Para a S&N, o resultado de meio século de trabalho de Ross funciona como lembrete de que determinadas experiências analógicas ganham valor exatamente porque resistem à lógica acelerada do streaming e da realidade aumentada. Enquanto metaversos prometem levar o firmamento ao headset, “Star Axis” convida o espectador a ajustar o próprio corpo ao ritmo do cosmos real.

Na leitura do Editorial S&N, esse posicionamento pode influenciar projetos brasileiros que concilham arte, turismo e conservação ambiental. Reservas particulares, parques ou instituições culturais que desejem atrair visitantes sem recorrer a estruturas espetaculares de LED encontram em Ross um exemplo de que a aposta na simplicidade — aliada a rigor matemático e paciência quase épica — também produz ativos de valor simbólico elevado.

Próximos passos e impacto regional

A reportagem do New York Times observa que a inauguração de “Star Axis” tende a mover a economia criativa do Novo México, estado já conhecido por produções cinematográficas e pela proximidade com centros de pesquisa espacial. Agências de viagens locais cogitam incluir o observatório em roteiros que cruzam locais históricos, comunidades indígenas e outros sítios de land art.

Para o leitor brasileiro, o caso coloca em pauta a importância de políticas de longo prazo. Projetos dependentes de décadas de execução exigem perseverança frente a ciclos políticos curtos — discussão pertinente a empreendedores culturais no país. Ao concluir “Star Axis”, Charles Ross lembra que alguns sonhos de negócios, literalmente esculpidos na paisagem, precisam de meio século para ver a luz (ou as estrelas) do dia.

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