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Omnicom Media redesenha modelo de agência na era da inteligência artificial

Resumo

Omnicom Media Group North America considera o antigo formato de holding publicitária coisa do passado e já trabalha em uma proposta de agência...

Omnicom Media Group North America considera o antigo formato de holding publicitária coisa do passado e já trabalha em uma proposta de agência repensada para a era da inteligência artificial (IA). A mudança foi defendida por Ralph Pardo, CEO da companhia, em entrevista ao Digiday.

Segundo a reportagem do veículo norte-americano, Pardo sustenta que a automação de tarefas de mídia, impulsionada por IA, exige reorganizar processos, talentos e, acima de tudo, a forma de apresentar valor a clientes globais. O executivo não divulgou prazos ou números, mas deixou claro que a revisão é estrutural, não pontual. A lógica tradicional de vários serviços empilhados sob uma grande holding, diz ele, já não convence anunciantes em busca de agilidade e eficiência.

Nascida como braço de mídia de um dos maiores grupos de comunicação do mundo, a Omnicom Media sempre se apoiou em volumosos investimentos em compra de espaço publicitário. Com a entrada de algoritmos capazes de planejar, comprar e otimizar campanhas quase em tempo real, parte desse trabalho passa a ser executada por sistemas, reduzindo custos operacionais e abrindo espaço para novas fontes de receita. Nesse cenário, competências estratégicas – dados proprietários, criatividade aplicada e consultoria de negócios – ganham protagonismo. O assunto ecoa em discussões recentes na categoria Liderança & Gestão da S&N, onde transformação digital e mudança cultural caminham juntas.

Do “holdco” à plataforma de soluções

O ponto central, conforme Pardo, é abandonar a ideia de uma holding que simplesmente agrega agências especializadas. Em vez disso, a Omnicom Media quer oferecer uma plataforma integrada, na qual a IA automatiza fluxos de trabalho repetitivos – da análise de audiência ao controle de investimentos – e libera profissionais para tarefas de alto valor, como insights de mercado e inovação de formatos.

Para anunciantes, a promessa é dupla: entregar campanhas mais eficientes financeiramente e, ao mesmo tempo, acelerar experimentos em canais emergentes. Embora o CEO não tenha detalhado ferramentas ou parceiros tecnológicos, o Digiday relata que a revisão inclui repensar organogramas, metas de performance e pacotes de remuneração.

O que muda para o mercado brasileiro

Na leitura do Editorial S&N, o posicionamento da Omnicom Media ilustra uma tendência que já ronda as agências nacionais: usar IA para otimizar a operação e redesenhar propostas de valor. Grupos locais que ainda dependem de modelos tradicionais de fee correm o risco de perder competitividade diante de concorrentes dispostos a remunerar resultado – um formato facilitado por métricas em tempo real geradas por algoritmos. Mesmo sem dados específicos sobre o Brasil na entrevista, o movimento global da rede serve de termômetro para executivos que avaliam quando e como migrar para estruturas mais leves e orientadas por dados.

A adoção de inteligência artificial na publicidade ainda enfrenta desafios regulatórios, de privacidade e de qualificação da mão de obra, mas o recado de Pardo é claro: quem seguir preso ao velho “holdco deck” pode ficar para trás. E, como costuma ocorrer, as mudanças no topo das holdings internacionais tendem a repercutir rapidamente nos escritórios latino-americanos.

Para profissionais e marcas brasileiras, vale acompanhar de perto os próximos passos da Omnicom Media Group. Se a promessa de um modelo mais ágil e orientado por IA se confirmar, o padrão de concorrência, contratação e mensuração de resultados no país pode avançar alguns anos em poucos meses.

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