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PepsiCo expande estratégia de gêmeo digital para turbinar fábricas

Resumo

PepsiCo deixou de testar mudanças de layout no “chão de fábrica” para experimentar primeiro no universo virtual: a empresa escaneia instalações a...

PepsiCo deixou de testar mudanças de layout no “chão de fábrica” para experimentar primeiro no universo virtual: a empresa escaneia instalações a laser, gera réplicas 3D com precisão milimétrica e simula milhares de variações de processo antes de mover uma única máquina.

No novo modelo, gêmeos digitais revelam gargalos, indicam fluxos alternativos e permitem que engenheiros planejem expansões de produção sem paradas custosas. Segundo Athina Kanioura, CEO da PepsiCo para a América Latina e líder global de estratégia e transformação, o objetivo é “otimizar cada centímetro do espaço, do hardware ao deslocamento das pessoas”.

O uso de inteligência artificial para criar réplicas fiéis de ambientes físicos virou peça-chave na corrida industrial 4.0. Na prática, a abordagem reduz apostas às cegas e evita investimentos que poderiam se provar ineficazes. Essa combinação de IA e modelagem 3D vem se tornando referência no ecossistema de tecnologia corporativa.

Do piloto à escala global

A inspiração veio da indústria automotiva, onde montadoras como BMW projetam fábricas inteiras em realidade virtual. Ao notar o avanço, a PepsiCo iniciou pilotos nos Estados Unidos. Resultado: um complexo de bebidas deve elevar sua capacidade em 40%, e outras plantas já registram ganhos de 15% a 20% na vazão de produtos.

Ao adotar a metodologia, a companhia trocou reações tardias por análises preditivas. “Transformação para nós é estar prontos para o futuro”, resume Ashin Parikh, vice-presidente sênior de estratégia e transformação da cadeia global de suprimentos. “Queremos operações ágeis para atender a demanda do consumidor.”

Em 2024, a iniciativa ganhou impulso com o anúncio de uma parceria com Siemens e Nvidia. O acordo insere o portfólio de gêmeos digitais da Siemens, apoiado em hardware gráfico da Nvidia, na rotina de planejamento da multinacional. “Deixa de ser um projeto pontual: passa a integrar o fluxo de trabalho e será aplicado no mundo todo”, explica Ali Peyrovi, vice-presidente de estratégia de armazéns.

Além da eficiência

Por trás da inovação está a mudança no comportamento de compra: vendas online crescem e os pedidos chegam customizados, em lotes menores e embalagens menores. A demanda fracionada exige linhas flexíveis e logística enxuta. “Nosso compromisso é entregar o produto que o consumidor quer, onde e como ele preferir”, afirma Parikh.

Na leitura do Editorial S&N, o movimento aponta para uma tendência de manufatura adaptativa. Empresas que conseguirem simular cenários em tempo real — do impacto de um novo sabor ao efeito de uma quebra na cadeia de suprimentos — terão vantagem competitiva para responder a choques de mercado, variações de demanda ou interrupções logísticas.

“As capacidades digitais evoluem rápido. A forma como resolvemos problemas hoje será diferente em seis meses”,

alerta Parikh. Para ele, líderes industriais precisam tornar-se “estudantes permanentes” de IA para manter operações à frente das disrupções.

Com gêmeos digitais, a PepsiCo acredita ter encontrado uma rota para esse futuro. E, se os números iniciais se confirmarem, a companhia pode redefinir o padrão de modernização fabril no setor de bens de consumo — um exemplo que concorrentes dificilmente ignorarão.

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