Petróleo voltou a subir nesta terça-feira, 14/07/2026, sustentado pela escalada retórica entre Estados Unidos e Irã, ainda que a Casa Branca tenha cancelado a tarifa de 20% sobre embarcações que cruzam o Estreito de Ormuz.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato do WTI para agosto avançou 1,53%, fechando a US$ 79,34 o barril. Em Londres, o Brent para setembro ganhou 1,72% e terminou a sessão a US$ 84,73. Ambos tocaram o maior nível desde 12 de junho durante o pregão.
O movimento reforça a percepção de que tensões geopolíticas têm pesado mais que fundamentos de oferta e demanda no curto prazo, avalia o Editorial S&N. Ao mesmo tempo, a decisão norte-americana de retirar a cobrança em Ormuz funcionou como freio parcial para os preços, evitando uma disparada maior.
Tensão geopolítica sustenta preços
Logo nas primeiras horas do dia, o mercado reagiu à continuidade dos atritos entre Washington e Teerã. Segundo a consultoria Capital Economics, os investidores “ajustaram rapidamente” suas projeções de risco para cima diante da possibilidade de novos incidentes na principal rota marítima de exportação do Golfo Pérsico.
A corretora britânica Wealth Club classificou Ormuz como “um ponto crítico perigoso” que, em poucas semanas, “voltou a ficar extremamente caro” para o transporte de carga. Cerca de um quinto do petróleo mundial passa diariamente pelo estreito, o que amplifica o efeito de qualquer instabilidade na região.
No meio da tarde, a volatilidade aumentou quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que substituirá a taxa sobre navios por acordos comerciais com países parceiros. Os futuros chegaram perto da estabilidade, mas retomaram o avanço à medida que operadores ponderaram que a tensão militar persiste mesmo sem a tarifa.
Após reunir-se em Washington com o primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, Trump afirmou que pretende firmar “muitos acordos” envolvendo petróleo. “Vamos tirar muito petróleo do Iraque, fazer muitos acordos e criar muitos empregos em conjunto”, declarou o presidente.
Dados macro aliviam pressão inflacionária
Do lado econômico, o índice de preços ao consumidor (CPI) de junho nos Estados Unidos veio mais fraco que o previsto. O resultado reduziu as apostas de alta de juros pelo Federal Reserve já em setembro, fator que, em geral, beneficia ativos de risco, entre eles a própria commodity.
Para a Economia & Finanças, o dado de inflação abre espaço para custos de financiamento mais baixos, algo que pode manter a demanda por combustíveis resiliente nos próximos meses, ainda que o quadro de incerteza geopolítica permaneça no radar.
Na Ásia, contudo, a demanda perdeu força: as importações chinesas de petróleo registraram nova queda em junho, segundo a mesma Capital Economics. O recuo no maior comprador global tende a limitar o fôlego dos preços, colocando fundamentos e geopolítica em rota de colisão.
O que acompanhar a seguir
- Negociações de Washington com Bagdá para detalhar os eventuais contratos de exploração e fornecimento anunciados por Trump.
- Evolução das tensões militares no Golfo, principal gatilho de volatilidade observado em julho.
- Agenda econômica dos EUA, especialmente dados de atividade e falas de dirigentes do Fed, para calibrar apostas em política monetária.
- Relatórios de produção da Opep+ e números oficiais de estoques norte-americanos, termômetros tradicionais da oferta global.
Na leitura do Editorial S&N, esse conjunto de fatores indica um segundo semestre de preços sensíveis a manchetes diplomáticas. Se o diálogo EUA-Irã se agravar, a barreira psicológica dos US$ 90 para o Brent pode voltar ao radar — ainda que a demanda internacional mostre sinais de moderação. Para investidores e gestores de risco, atenção redobrada continua sendo a melhor estratégia.


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