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Planejamento financeiro na velhice: como prever custos de cuidado

Resumo

Instituto de Longevidade MAG e outros especialistas defendem que o planejamento financeiro na velhice deve prever gastos com cuidadores, serviços de home...

Instituto de Longevidade MAG e outros especialistas defendem que o planejamento financeiro na velhice deve prever gastos com cuidadores, serviços de home care, adaptações residenciais e instituições de longa permanência para idosos, despesas que costumam ficar fora dos cálculos de aposentadoria.

De acordo com análises sobre planejamento financeiro, ignorar esses custos pode pressionar o orçamento de toda a família e levar a endividamento, redução de jornada de trabalho ou abandono do emprego por parte dos filhos.

Custos invisíveis dos cuidados prolongados

Antônio Leitão, gerente do Instituto de Longevidade MAG, ressalta que gastos de longo prazo exercem impacto duradouro sobre o patrimônio familiar por poderem se estender por meses ou anos.

“O planejamento financeiro para a longevidade precisa considerar que viver mais também significa estar preparado para diferentes cenários de saúde e dependência, evitando que decisões importantes precisem ser tomadas em momentos de urgência.”

— Antônio Leitão, Instituto de Longevidade MAG

Números do IBGE indicam que a expectativa de vida ao nascer no Brasil alcançou 76,6 anos, reforçando a necessidade de prever recursos para eventuais períodos de dependência.

Fátima Monteiro, presidente do Clube dos Corretores de Seguros do Rio de Janeiro (CCS-RJ), observa que saúde já é o principal item do orçamento na aposentadoria e deve vir acompanhada de reserva específica para contratação de cuidadores.

Começar cedo faz diferença

Especialistas recomendam iniciar a preparação ainda na fase economicamente ativa, quando há tempo para acumular patrimônio e contratar mecanismos de proteção. Leitão afirma que essa antecipação permite formar recursos de forma gradual e garantir liberdade de escolha sobre como envelhecer.

Monteiro sugere que o momento de intensificar a poupança coincide com a fase em que os filhos atingem autonomia financeira, reduzindo a pressão sobre o orçamento doméstico.

“A principal consequência é o empréstimo consignado no contracheque do idoso, tornando essa prática uma bola de neve que nunca acaba, com juros altos e qualidade de vida cada vez menor.”

— Fátima Monteiro, CCS-RJ

Impacto sobre a geração sanduíche

O improviso quando a dependência já está instalada pode desencadear um efeito cascata. Além das novas despesas, é comum que um dos filhos diminua seu tempo de trabalho ou abandone a carreira para cuidar do pai ou da mãe, reduzindo a renda familiar.

Leitão destaca que esse quadro afeta principalmente a chamada “geração sanduíche”, que financia simultaneamente a criação dos filhos e a assistência aos pais. Sem planejamento prévio, o grupo corre o risco de comprometer seu próprio futuro previdenciário.

Segundo o gerente do Instituto de Longevidade, discutir antecipadamente como serão organizados os cuidados, quais recursos estarão disponíveis e quais formas de apoio poderão ser utilizadas ajuda a reduzir a sobrecarga financeira e operacional da família.

Não há solução única para bancar cuidados de longo prazo. Leitão propõe combinar reserva de emergência, investimentos e previdência privada para dar previsibilidade ao orçamento na aposentadoria. Monteiro reforça que, dependendo do grau de dependência do idoso, contar com cuidador profissional torna-se inevitável, o que torna essencial formar poupança dedicada a esse fim.

Ao incluir as despesas com assistência prolongada no planejamento de longo prazo, famílias podem evitar decisões sob pressão e preservar a qualidade de vida de todas as gerações envolvidas.

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