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Ricardo Salles ataca “forasteiras” Tebet e Marina em evento do Novo

Resumo

Ricardo Salles abriu fogo contra adversários e antigos aliados durante o Encontro Nacional do Partido Novo, realizado neste sábado, 18/05, na capital...

Ricardo Salles abriu fogo contra adversários e antigos aliados durante o Encontro Nacional do Partido Novo, realizado neste sábado, 18/05, na capital paulista. O deputado federal e pré-candidato ao Senado por São Paulo rotulou as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) de “forasteiras” e mirou também no presidente da Assembleia Legislativa paulista, André do Prado (PL), a quem classificou como “filhote” de Valdemar Costa Neto.

O evento, que contou com a presença do ex-governador mineiro Romeu Zema, serviu como vitrine para a pré-campanha de Salles ao Senado. O tom, porém, foi menos propositivo e mais combativo: sob aplausos de filiados, o ex-ministro do Meio Ambiente reservou a maior parte dos 20 minutos de fala para criticar o Centrão e denunciar o que chamou de “oportunismo eleitoral” de nomes apoiados pela esquerda paulista. Em sua avaliação, Tebet e Marina “não sabem nada do Estado de São Paulo” e só concorrem ali graças à “esquerda caviar” que domina bairros centrais da capital.

Para quem acompanha a Perspectiva S&N, o discurso reforça a estratégia de Salles de ocupar o espaço mais ideológico da direita paulista, sobretudo depois de a vaga ao Senado ter atraído figuras de campos distintos do espectro político.

Críticas diretas a Tebet, Marina e André do Prado

Salles acusou as duas ex-ministras, hoje pré-candidatas na chapa de Lula (PT), de buscarem “apenas um endereço eleitoral” em São Paulo. Ele também atacou André do Prado, que recebeu o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do deputado Eduardo Bolsonaro (PL). Segundo o ex-ministro, o presidente da Alesp encarna “todos os malefícios” atribuídos ao Centrão: “ausência de postura ideológica, de princípios, de valores”.

“Junto com elas está quem? O pupilo do Valdemar da Costa Neto, a figura que representa, pronto e acabado, tudo que o Centrão significa”, discursou Salles, lembrando que Prado apoiou Márcio França (PSB) contra João Doria em 2018.

O parlamentar ainda ironizou a aproximação de parte do PL, legenda de Jair Bolsonaro, com lideranças centristas. Para ele, o movimento demonstra submissão: “É melhor perder de pé do que ganhar de quatro”, disse, ecoando expressão já usada em debates internos da direita.

Ricardo Salles e o discurso contra o Centrão

Apesar de ter integrado o governo Bolsonaro, Salles sublinhou que não se arrepende da passagem pelo Ministério do Meio Ambiente. No entanto, direcionou críticas severas à base aliada que, segundo ele, “se ajoelha” ao Centrão em troca de votos no Congresso. De Hugo Motta (Republicanos-PB) a Davi Alcolumbre (União-AP), nenhum nome ficou de fora do repertório. “Onde o Centrão põe a mão é corrupção”, resumiu.

Na leitura do Editorial S&N, essa retórica procura diferenciar o candidato num momento em que disputas internas pelo espólio do bolsonarismo ganham intensidade. Ao atacar André do Prado, que conta com a chancela de Tarcísio e de parte significativa do PL, Salles sinaliza que buscará o eleitorado mais fiel ao ex-presidente, mas também insatisfeito com alianças pragmáticas.

O deputado falou ainda em “vorcarização da política brasileira” — expressão que ele utiliza para acusar a degradação ética do sistema partidário — e garantiu não medir palavras durante a campanha. Tal postura, avalia a S&N, tende a animar militantes orgânicos da direita, mas também amplia o risco de isolamento caso precise de apoio mais amplo no segundo turno.

Impacto na disputa ao Senado por São Paulo

Com pelo menos quatro pré-candidaturas já anunciadas — Salles (Novo), Tebet (PSB), Marina (Rede) e André do Prado (PL) —, a corrida ao Senado em São Paulo promete ser um dos embates mais concorridos de 2026. Salles tenta capitalizar sua visibilidade nacional e a sustentação de Zema dentro do Novo, enquanto Marina e Tebet apostam no capital político acumulado durante suas trajetórias ministeriais e parlamentares.

Para a S&N, esse movimento indica que o pleito paulista se transformará em laboratório de rearranjo das forças ideológicas pós-Bolsonaro. Se a direita se divide entre pragmáticos e “linha-dura”, a esquerda mede o apelo de nomes com grande exposição ambiental, como Marina, em um dos maiores colégios eleitorais do País.

Nas próximas semanas, a expectativa é que as siglas oficializem alianças e apresentem prévias de programas voltados a temas sensíveis para o Estado, como infraestrutura, reforma tributária estadual e transição energética. À medida que o calendário avança, a retórica de “forasteiro” ou “filhote” testará não apenas a paciência dos adversários, mas também a capacidade de cada candidato em traduzir discurso ideológico em propostas de interesse direto para o eleitor paulista.

Resta saber se a contundência de Salles converterá capital político em votos ou se o eleitorado paulistano optará por perfis mais conciliadores. A disputa, pelos sinais emitidos neste fim de semana, já começou.

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