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Tarifas de Trump já custaram ao Brasil US$ 1,5 bi, apontam entidades

Resumo

O governo do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs uma série de tarifas sobre produtos brasileiros a partir do ano passado, medida que...

O governo do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs uma série de tarifas sobre produtos brasileiros a partir do ano passado, medida que resultou em prejuízo mínimo de US$ 1,5 bilhão para o Brasil, de acordo com cálculos de entidades setoriais.

Tarifas são sobretaxas aplicadas à importação de bens estrangeiros com o objetivo de encarecer o produto externo ou proteger a indústria local. No caso norte-americano, o mecanismo foi acionado repetidas vezes contra mercadorias brasileiras, elevando custos e reduzindo margens de exportadores nacionais. Para quem acompanha o noticiário de Economia & Finanças, o valor estimado pelas entidades já ilustra o tamanho do impacto sobre a balança comercial bilateral.

Embora o detalhamento de cada medida tarifária não tenha sido divulgado neste balanço das entidades, o histórico mostra um processo escalonado: sucessivas decisões que atingiram diferentes grupos de produtos ao longo de meses, sempre com o argumento de proteger setores estratégicos da economia americana. Esse acúmulo de barreiras explica por que o montante das perdas ultrapassa a marca do bilhão de dólares em período relativamente curto.

Os US$ 1,5 bilhão apontados referem-se apenas a efeitos já sentidos pelos exportadores — uma conta que não captura potenciais contratos cancelados ou oportunidades futuras inviabilizadas. Ao lado de taxas mais altas, empresários relatam atrasos na liberação de cargas e renegociação de preços, fatores que agravam o quadro de incerteza para quem vende aos Estados Unidos.

Para a S&N, esse movimento indica uma mudança estrutural no relacionamento comercial entre os dois países. Mesmo que administrações futuras em Washington revisem parte das medidas, a experiência recente reforça a necessidade de diversificar destinos e reduzir a dependência de um único mercado. Empresas que já vinham procurando compradores na Ásia ou na Europa encontram agora uma motivação adicional para acelerar a estratégia.

No pano de fundo, a pressão tarifária de Trump dialoga com uma tendência global de maior protecionismo. Ela acontece em um momento em que cadeias de suprimentos se reconfiguram, seja por disputas geopolíticas, seja pela pandemia de Covid-19 e seus reflexos logísticos. Na leitura do Editorial S&N, o episódio serve de alerta: choques na política comercial podem acontecer sem aviso prévio e exigem planejamento constante de quem atua no comércio exterior.

Especialistas consultados por entidades do setor enfatizam que, além de lobby e diplomacia, competitividade passa por eficiência interna, investimentos em tecnologia e valorização de acordos multilaterais. Ainda que não existam metas oficiais para recuperar integralmente o montante perdido, a expectativa é de que debates sobre tarifas e acesso a mercados continuem dominando agendas empresariais e governamentais em 2023.

O desdobramento mais imediato será acompanhar eventuais revisões de tarifas ou processos de isenção solicitados por empresas brasileiras. Enquanto isso, a cifra de US$ 1,5 bilhão permanece como termômetro do dano já causado — e como lembrete de que decisões políticas além-fronteira podem redefinir, em poucos meses, o rumo das vendas externas do país.

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