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Trump Accounts: atraso de US$ 1.000 para bebês gera frustração nos EUA

Resumo

Trump Accounts, política de poupança infantil criada pelo ex-presidente Donald Trump, enfrenta queixas de pais que aguardam o depósito inicial de US$...

Trump Accounts, política de poupança infantil criada pelo ex-presidente Donald Trump, enfrenta queixas de pais que aguardam o depósito inicial de US$ 1.000 prometido para cada bebê nascido durante seu segundo mandato.

Segundo reportagem da Fast Company, o programa foi lançado em 4 de julho do ano passado e permite a abertura de contas de investimento para crianças de até 18 anos, com vantagens fiscais e aportes posteriores de familiares, amigos e empresas. O governo anunciou 6,5 milhões de contas, das quais 1,5 milhão teriam direito ao incentivo para nascidos de 2025 a 2028. Ainda assim, parte dos beneficiários diz não ter visto a cor do dinheiro.

Dentro da lógica de formação de capital de longo prazo — tema que permeia a editoria de Economia & Finanças da S&N — a iniciativa busca ampliar a participação popular no mercado acionário. O Tesouro norte-americano compara o atraso aos “prazos normais de um reembolso de imposto” e afirma que a maioria recebe o valor em um ou dois dias, embora informe prazos de até quatro semanas “por precaução”.

Como funciona o Trump Accounts

Criadas pela lei One Big Beautiful Bill, as contas são administradas por gestoras privadas que aplicam os recursos em fundos de índice. O saque só é liberado quando o titular completa 18 anos, e para finalidades restritas — ensino superior, compra de imóvel ou abertura de empresa. A proposta se inspira nos chamados “baby bonds” adotados em alguns estados e cidades democratas, mas, diferentemente deles, não restringe o benefício a famílias de baixa renda.

Ao discursar em uma escola secundária da Geórgia, Trump volta a defender o programa como ferramenta contra a pobreza infantil e caminho para frear o apelo de propostas “socialistas” que demandam maior taxação sobre empresas e fortunas. Para a Casa Branca à época, democratizar o acesso ao mercado seria antídoto contra custos crescentes de saúde e alimentação.

Pais reclamam de demora

Nas redes sociais e em entrevistas, pais de recém-nascidos relatam que o depósito não entrou na data prometida. O casal Masaki e Kristina McLellan, de Bergen County, Nova Jersey, conta que a solicitação da conta para a filha Maya — nascida em março — foi inicialmente rejeitada. Após uma hora no atendimento telefônico, o pedido foi aceito, mas o prazo de crédito passou de 10 dias para até quatro semanas.

Apesar da frustração, Maya já acumula outras duas formas de investimento: um plano educacional 529 e uma corretora custodial. O Trump Account se tornou, portanto, o terceiro pilar da alocação financeira da criança. “Queremos que ela tenha opções para escolher seu futuro”, afirmou Kristina, que volta da licença-maternidade na próxima semana.

Críticas à abrangência

Especialistas ouvidos pela Fast Company apontam incoerência: o pacote legislativo que criou a conta também reduziu verbas de programas como Medicaid e o vale-alimentação SNAP, amplamente usados por famílias de baixa renda. Para críticos, não adianta garantir um ativo de longo prazo se as crianças enfrentam pobreza, insegurança alimentar ou falta de moradia justamente nos primeiros anos de vida.

A popularidade do Trump Accounts se tornou um ativo político. De acordo com pesquisa do AP-NORC Center de junho, apenas 33% dos adultos aprovavam a gestão econômica de Trump, pressionada por tarifas comerciais e conflitos no Oriente Médio que encareceram produtos. O programa de poupança infantil serve, assim, como vitrine em ano eleitoral difícil para republicanos.

Na leitura do Editorial S&N, o caso ilustra o desafio de equilibrar políticas de incentivo ao investimento com a urgência social do curto prazo. No Brasil, debates parecidos surgem quando se fala em contas poupança para recém-nascidos ou em permitir que o trabalhador use parte do FGTS como garantia para educação dos filhos. A experiência norte-americana reforça que, sem execução confiável e comunicação transparente, qualquer desenho institucional corre o risco de virar peça de marketing — e perder o efeito pretendido.

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