Trump e Xi encerram cúpula em Pequim com avanços declarados, mas diferenças persistem

Trump e Xi encerram cúpula em Pequim com avanços declarados, mas diferenças persistem

Quem: O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping.

O que: Os dois líderes concluíram uma cúpula em Pequim nesta sexta-feira, na qual afirmaram ter feito progressos para estabilizar as relações bilaterais, embora tenham mantido divergências em temas sensíveis como o Irã, Taiwan, controle de armamentos e comércio.

Quando e onde: A reunião teve desdobramentos ao longo de três dias em Pequim, com o encontro final ocorrendo na residência oficial de Xi, Zhongnanhai.

Como: Trump participou de uma caminhada pelos jardins de Zhongnanhai e, acompanhado por assessores e intérpretes, manteve quase três horas de conversas com Xi durante chá e almoço. Ambos descreveram a visita de forma positiva: Trump disse que foram “dias muito bons” e Xi classificou o encontro como um “marco” na relação bilateral.

Por quê: As conversas buscaram reduzir a tensão entre as maiores potências globais e tratar de temas que afetam a economia e a segurança internacional.

Entre os pontos destacados, ficou a indefinição de Trump sobre um grande pacote de vendas de armas dos EUA para Taiwan, autorizado pela administração republicana, mas ainda sem formalização. Ao retornar a Washington, o presidente afirmou que ainda não havia tomado uma decisão final sobre a operação, acrescentando: “Vou tomar uma determinação.”

Taiwan e controle de armamentos

Taiwan foi apontada por autoridades chinesas como o principal risco para o relacionamento bilateral. Xi repetiu a oposição à independência da ilha durante conversas privadas, e advertiu que um manejo inadequado da questão poderia levar “a choques e até conflitos”. O Secretário de Estado Marco Rubio declarou que a política dos EUA em relação a Taiwan permanece inalterada e que seria “um erro terrível” tentar tomar a ilha pela força.

Trump voltou a pressionar Taiwan por aumento de gastos com defesa e, em dezembro, o governo norte-americano anunciou um pacote de armas de US$ 11 bilhões — o maior já anunciado para a ilha — mas as entregas ainda não começaram. O presidente também afirmou que a China se comprometeu, segundo ele, a comprar 200 aviões da Boeing.

Irã, Estreito de Hormuz e riscos econômicos

A guerra no Irã, em sua 11ª semana, elevou os preços da energia e ameaça empurrar a economia global para uma recessão caso o conflito não seja encerrado em breve. Os líderes concordaram que o Estreito de Hormuz — praticamente fechado desde o início do conflito, por onde circulava cerca de 20% do petróleo mundial antes de 28 de fevereiro — precisa ser reaberto. Xi se posicionou contra a cobrança de pedágios sobre navios na região e demonstrou interesse em comprar petróleo dos EUA para reduzir a dependência chinesa do Golfo.

Nuclearidade e propostas de pacto trilateral

Trump afirmou ter proposto um acordo nuclear trilateral envolvendo EUA, Rússia e China para limitar cabeças nucleares, e disse ter recebido uma resposta “muito positiva” de Xi. Autoridades do Pentágono estimam que a China tem mais de 600 ogivas operacionais atualmente e que poderá superar 1.000 até 2030, enquanto EUA e Rússia possuem mais de 5.000 cada. O tratado New START entre EUA e Rússia expirou em fevereiro, deixando sem limites as duas maiores arsenais.

Comércio e acordos

Haveria anúncios de grandes negócios por Trump? A Casa Branca, antes da visita, insistiu que o presidente não viajaria sem a intenção de obter resultados concretos. Trump afirmou que foram selados “fantásticos acordos comerciais”, sem detalhar. A delegação norte-americana buscava compromissos chineses para compra de soja e carne bovina dos EUA, e o suposto acordo sobre 200 aeronaves da Boeing foi mencionado por Trump em entrevista.

Além dos temas de alta política, a visita teve momentos protocolares e simbólicos: Trump elogiou as rosas dos jardins de Zhongnanhai — Xi prometeu enviar sementes — e foi despedido no aeroporto pelo ministro das Relações Exteriores chinês Wang Yi; crianças vestindo as cores do Air Force One acenaram com bandeiras dos dois países.

O encontro concluiu a viagem de três dias do presidente americano à China, com declarações otimistas de ambas as partes, mesmo diante de divergências persistentes que permanecem sem solução imediata.

Com informações de Fastcompany