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TSMC destina US$ 100 bi extras a fábricas de chips nos EUA

Resumo

TSMC anunciou nesta quinta-feira (18/07) um aporte adicional de US$ 100 bilhões para expandir a fabricação de semicondutores nos Estados Unidos,...

TSMC anunciou nesta quinta-feira (18/07) um aporte adicional de US$ 100 bilhões para expandir a fabricação de semicondutores nos Estados Unidos, elevando para US$ 265 bilhões o volume total já prometido pela companhia ao país.

O novo pacote financeiro, detalhado durante a conferência de resultados do segundo trimestre, prevê a construção de quatro fábricas (fabs) no Arizona, voltadas à produção de chips de 2 nanômetros ou menos — a tecnologia mais avançada disponível comercialmente. A decisão amplia o plano anterior de seis unidades, também no estado, fruto de investimentos de US$ 165 bilhões.

Com o anúncio, o orçamento de capital (capex) da fabricante para 2024 sobe para um intervalo entre US$ 60 bilhões e US$ 64 bilhões; a estimativa anterior variava de US$ 52 bilhões a US$ 56 bilhões. Segundo a TSMC, o reforço é necessário para “sustentar a forte demanda plurianual de nossos principais clientes norte-americanos”, em referência a Nvidia e Apple. O movimento também amplia o ecossistema de semicondutores dos EUA, tema recorrente na cobertura da categoria de Tecnologia da S&N.

Recorde de lucro embala estratégia agressiva

Entre abril e junho, a companhia registrou lucro líquido de 706,6 bilhões de novos dólares taiwaneses (US$ 22 bilhões), salto de 77% em relação ao mesmo período de 2023. A receita avançou 36%, para 1,27 trilhão de novos dólares taiwaneses (US$ 39 bilhões). Alimentadas pelo boom de aplicações de inteligência artificial, as encomendas vêm pressionando a capacidade global de produção de chips.

Para o CEO e presidente C. C. Wei, a tendência persiste: ele projeta crescimento de receita anual acima de 40% em 2026, contra previsão anterior de “mais de 30%”. Wei acredita que a demanda “permanece extremamente robusta” até, pelo menos, 2029.

“Acreditamos que este investimento ajudará a fomentar ainda mais o desenvolvimento do ecossistema de semicondutores dos EUA, fortalecer a cadeia de suprimentos e criar um número crescente de empregos altamente qualificados e bem remunerados”, afirmou Wei.

Impacto geopolítico e incentivos cruzados

A série de investimentos casa com o acordo firmado no início do ano entre a administração do então presidente Donald Trump e Taiwan, que reduziu tarifas de importação sobre produtos taiwaneses em troca de cerca de US$ 250 bilhões em novos aportes no setor tecnológico norte-americano. A cifra já incluía o plano original da TSMC em Arizona.

Na leitura do Editorial S&N, o adicional de US$ 100 bilhões confirma como a corrida por capacidade produtiva migra do discurso para a execução. A movimentação sinaliza, ainda, que os Estados Unidos pretendem reequilibrar a dependência asiática na cadeia de chips de ponta, tema crítico para a segurança nacional e para indústrias que vão de data centers a veículos autônomos.

Capital para surfar a onda da IA

Parceira-chave de Nvidia, a TSMC ocupa posição estratégica no atual ciclo de investimento em IA. O aumento do tráfego de dados e da necessidade de poder de processamento em centros de dados impulsionou a demanda por processadores gráficos e componentes de infraestrutura — segmentos nos quais a taiwanesa é considerada termômetro global.

William Li, analista sênior de semicondutores na Counterpoint Research, avalia que o plano de gastos “é essencial para sustentar o crescimento de longo prazo” da fabricante. A TSMC quer evitar gargalos que, no passado recente, travaram linhas de produção e elevaram preços de dispositivos eletrônicos ao consumidor.

Para a S&N, esse movimento indica que a empresa prefere antecipar capacidade, mesmo sob risco de eventuais oscilações macroeconômicas ou questionamentos sobre uma possível bolha de IA. A leitura de mercado é que quem construir fabs agora capturará contratos plurianuais e blindará participação em um segmento no qual a mudança de fornecedor acarreta custos bilionários aos clientes.

Com o investimento extra, a TSMC reforça não só sua posição no fornecimento de chips de última geração, mas também a estratégia dos Estados Unidos de repatriar etapas críticas da cadeia de valor da tecnologia.

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