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Turistas trocam roteiros prontos por planejamento personalizado com inteligência artificial

Cada vez mais, o planejamento de viagens deixa de ser baseado em roteiros prontos para se tornar uma experiência personalizada. Com o avanço da inteligência artificial, turistas passam a utilizar ferramentas capazes de sugerir atrações, restaurantes, deslocamentos e até reorganizar o roteiro durante a viagem de acordo com mudanças de clima, localização, horários e preferências de cada usuário.

A tendência acompanha o crescimento da adoção da tecnologia. Um levantamento da consultoria Deloitte mostra que 24% dos viajantes pesquisados já utilizavam inteligência artificial generativa no planejamento de viagens no fim de 2025, percentual três vezes maior do que o registrado em 2022. Entre os usuários da tecnologia, 67% recorriam à IA para pesquisar atividades e atrações, 56% para escolher destinos e 54% para buscar hospedagem.

Para Bruno Miguel, empreendedor brasileiro e fundador da OMG!, aplicativo de inteligência artificial especializado em turismo, a principal transformação não está apenas no uso da tecnologia, mas na forma como ela reduz o tempo gasto para transformar informação em decisões.

“Durante muito tempo, o desafio era encontrar informações sobre um destino. Hoje acontece exatamente o contrário. O turista recebe centenas de recomendações, mas pode passar horas tentando entender quais delas realmente fazem sentido para o seu perfil. A inteligência artificial ajuda a organizar, filtrar e personalizar esse conteúdo”, afirma.

Enquanto ferramentas tradicionais oferecem listas de atrações e avaliações, a inteligência artificial começa a considerar variáveis como perfil do viajante, orçamento, tempo disponível, localização, clima e composição do grupo para entregar recomendações personalizadas ao longo de toda a experiência.

Dados divulgados pela McKinsey & Company reforçam esse movimento. Entre os viajantes que utilizam inteligência artificial, 54% recorrem à tecnologia para pesquisas gerais, 43% procuram inspiração para viagens, 43% buscam recomendações gastronômicas, 41% planejam o transporte, 37% montam itinerários e 31% utilizam a ferramenta para organizar o orçamento.

Segundo Bruno, esses diferentes usos demonstram que a IA começa a ocupar um espaço muito maior do que uma ferramenta de busca.

“A mesma cidade pode oferecer experiências completamente diferentes dependendo de quem está viajando. Um casal, uma família com crianças pequenas ou um grupo de amigos possuem interesses, horários, orçamentos e necessidades distintas. Um roteiro pronto dificilmente consegue considerar todas essas variáveis.”

Na prática, aplicativos baseados em inteligência artificial conseguem reorganizar recomendações durante toda a viagem, considerando mudanças de contexto como chuva, alterações no funcionamento das atrações, filas ou mudanças de planos do próprio turista.

“Um roteiro pode deixar de fazer sentido por causa da chuva, de uma atração fechada, de uma fila muito grande ou simplesmente porque a família mudou de ideia. Pelo aplicativo, a inteligência artificial reorganiza as sugestões conforme essa nova realidade, evitando que o turista precise começar toda a pesquisa novamente.”

O interesse dos consumidores também acompanha essa evolução. Segundo a McKinsey, quase 70% dos viajantes afirmam que gostariam de utilizar um assistente digital capaz de reservar ou administrar uma viagem completa. A consultoria também identificou que mais de 90% dos consumidores já demonstram algum nível de confiança nas informações de viagem fornecidas por inteligência artificial.

Na avaliação do empreendedor, a próxima etapa dessa transformação será o crescimento de inteligências artificiais especializadas em segmentos específicos, capazes de oferecer recomendações mais precisas do que modelos generalistas.

“Os modelos generalistas conseguem responder perguntas sobre praticamente qualquer assunto. No entanto, o turismo exige informações muito detalhadas sobre atrações, hotéis, restaurantes, deslocamentos, horários, restrições e características de cada destino. Quanto mais especializada for a inteligência artificial, maior será sua capacidade de entregar uma orientação realmente útil.”

Para Bruno, essa evolução não elimina o trabalho de influenciadores, blogs, sites especializados ou profissionais do setor. O papel da inteligência artificial será organizar essas informações de maneira personalizada para cada viajante.

“A inteligência artificial não precisa eliminar as fontes tradicionais. Ela pode funcionar como uma camada capaz de interpretar essas informações e selecionar o que é relevante para cada pessoa. O turista deixa de receber uma lista igual para todos e passa a ter uma experiência construída de acordo com seus próprios interesses.”

Na avaliação do especialista, o futuro do turismo será marcado por experiências cada vez mais personalizadas e menos baseadas em recomendações genéricas.

“As pessoas não querem perder horas comparando dezenas de opções para descobrir onde comer, qual atração visitar ou como distribuir o tempo disponível. Elas querem um assistente de viagem na palma da mão, que entenda seu perfil, acompanhe o contexto da viagem e entregue respostas personalizadas em tempo real. É esse o papel que a inteligência artificial tende a assumir”

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