Arthur Mensch, CEO da startup francesa Mistral, afirmou que a Europa dispõe de um prazo de dois anos para montar sua própria infraestrutura de inteligência artificial antes de se tornar dependente de gigantes tecnológicos dos Estados Unidos. O alerta foi feito durante uma audiência sobre soberania digital e IA na Assembleia Nacional da França, na terça-feira, 12 de maio de 2026.
Mensch, cofundador de 33 anos da Mistral, disse que a disputa pela liderança em IA será decidida no curto prazo e que não se trata apenas de modelos de linguagem, mas também do controle sobre chips, energia e capacidade de computação. “Será decidido nos próximos dois anos”, afirmou, em declaração traduzida pelo Business Insider.
Risco de perda de controle sobre infraestrutura
O executivo alertou que, se o fornecimento for monopolizado por empresas americanas, a Europa poderá perder acesso aos recursos essenciais para transformar energia elétrica em capacidade de processamento para IA — resumido por Mensch como a incapacidade de “transformar elétrons em tokens”. Ele chegou a dizer que o continente corre o risco de se tornar “um estado vassalo” caso continue a importar serviços digitais dos EUA em vez de desenvolver uma indústria própria.
Mensch ressaltou que empresas norte-americanas já atuam agressivamente para assegurar acesso a energia, chips e centros de dados, e que esse movimento pode consolidar uma vantagem permanente. “Os americanos vão aplicar um trilhão de dólares no próximo ano”, afirmou, acrescentando que “quem controla os chips, quem controla os elétrons, quem tem grande acesso à energia — esse é o que vence”.
Estratégia da Mistral e desafios europeus
Com sede em Paris e criada em 2023 por ex-pesquisadores da Meta e da DeepMind, a Mistral posiciona a ideia de soberania europeia como pilar de sua estratégia open source. A empresa tem buscado parcerias para reforçar essa mensagem, incluindo um acordo com o Groupe Caisse des Dépôts, instituição pública de investimento francesa, para fortalecer a soberania digital por meio de IA generativa e infraestrutura de GPUs.
Mensch disse que a Mistral pretende construir um gigawatt de capacidade de computação para IA até 2029, embora tenha afirmado que o continente precisará de investimentos muito maiores. Ele também criticou a fragmentação das regras e dos mercados de capital na Europa, que, segundo ele, dificultam o crescimento de startups em comparação com os Estados Unidos. “Se não avançarmos rápido o suficiente, acabaremos em uma situação em que não teremos escolha”, declarou.
O aviso de Mensch ocorreu no contexto de debates crescentes sobre autonomia tecnológica na Europa, com governos buscando alternativas aos serviços e infraestruturas dominados por empresas estrangeiras.
Com informações de Businessinsider

